Projeto Afro-Jazz Instrumental

“O que seria equivalente ao jazz se suas raízes houvessem sido afro-brasileiras?”

Esta é a pergunta que conceituou todo o projeto do multi-instrumentista Lulla Oliveira. Sua linha rítmica é única: funde a riqueza das melodias tradicionais do Candomblé ao jazz moderno, com influências da capoeira, do maculelê, samba de roda e jongo e da música contemporânea erudita. A estréia do projeto Afro-Jazz Instrumental aconteceu nos dias 09 e 10 de setembro, no Teatro Rival Petrobrás, onde foram lançados o álbum “Makumba de Butique Sonora” e o songbook “Ritmos do Candomblé”, além da gravação de um DVD ao vivo. O músico Lulla Oliveira reuniu no palco os grandes nomes da música instrumental brasileira, Naná Vasconcelos, Carlos Malta e Paulo Moura, em um encontro inédito.

“Foi maravilhoso participar deste show pela qualidade do trabalho de Lulla Oliveira. Suas composições saem do cotidiano, os arranjos são originais. A música de Lulla vem da raiz afro-brasileira e transita pelo pop e pelo mundo da música improvisada, em busca de uma música universal. Gosto de estar no meio de quem procura uma nova linguagem musical”, ressaltou Naná Vasconcelos.

O CD “Makumba de Butique Sonora” é instrumental e representa o jazz brasileiro nascido nas tradições afro. Lulla Oliveira acredita que “se tivesse nascido no Brasil, o jazz seria esta combinação de ritmos”. O guitarrista e percussionista extraiu cantigas sacras tradicionais do Candomblé e incorporou ao tema releituras inéditas e sofisticadas – um exemplo é a música “Água e Ouro”, que usou como base a cantiga de Oxum. O álbum traz composições inéditas do multi-instrumentista, com participações especiais de Carlos Malta, Paulo Moura e Luciano Alves. O objetivo de “Makumba de Butique Sonora” é garantir que o público descubra a riqueza rítmica e melódica do Candomblé como legítima expressão artística, de ampliada aceitação do público mais exigente:

“Meu show conta a história da origem dessa fusão musical com muita harmonia rítmica e um grande espetáculo. O resultado é culturalmente moderno, mas ao mesmo tempo baseia-se na mais pura tradição dos ritmos e melodias do universo musical afro-brasileiro”, analisa Lulla Oliveira.